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14 de fevereiro de 2017

Tati Andrade (UNICEF)

Faces da gestão

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) está presente no Ceará desde 1988, desenvolvendo atividades que buscam, acima de tudo, assegurar os direitos de crianças e adolescentes em situação vulnerável, desfavorecidos em razão de práticas discriminatórias, questões étnicas ou raciais, situações de emergência, vulnerabilidade, deficiência, HIV/aids ou violência. Parcerias são estabelecidas para que se garanta a cada menina e menino o direito a sobreviver e se desenvolver; aprender; crescer sem violência; ser protegido e proteger-se do HIV/aids; ser adolescente; ter acesso ao esporte seguro e inclusivo; e ser prioridade absoluta nas políticas públicas.

Para falar um pouco mais sobre as ações e prioridades do Unicef, a equipe da Sustentação conversou com Tati Andrade, gestora de Programas do UNICEF para o Ceará, Rio Grande do Norte e Piauí. Confira!

Sustentação: Qual a prioridade do Unicef e sua área de atuação no Ceará atualmente?

Tati Andrade: O Unicef é uma das agências das Nações Unidas, que tem como especialidade a defesa dos direitos de crianças e adolescentes, atuando hoje em 190 países. O Brasil é um deles. O Unicef completou em dezembro 70 anos de existência. No Brasil, o Unicef iniciou suas atividades em 1959. E aqui no Ceará começou suas atividades em 1988. No país, nós temos três regiões prioritárias que são o Semiárido, Amazônia e os grandes Centros Urbanos. Nós também temos programas e grupos prioritários de trabalho. Em termos de saúde, podemos dizer que hoje a síndrome congênita do Zika vírus, especialmente na região do Semiárido, continua sendo uma grande prioridade, tanto em termos de combate ao Aedes aegypti, quanto à assistência às famílias dos bebês acometidos pelo vírus por essa ser a área de atuação do nosso escritório de Fortaleza.

Sustentação: Quais os principais projetos em andamento envolvendo os municípios cearenses atualmente?

Tati Andrade: A nossa principal iniciativa sem dúvida é o Selo Unicef. Temos muito orgulho dele ter nascido no Ceará em 1999 e, a partir de 2005, foi levado para todos os estados do Semiárido, já que nós incluímos, além dos estados do Nordeste, o norte de Minas Gerais e do Espírito Santo. Além desta ação principal, temos um grande trabalho com a Assembleia Legislativa, liderado pelos deputados Renato Roseno e Ivo Gomes, para analisar toda a situação de homicídios de adolescentes no estado, especialmente em Fortaleza. A partir da amostragem de alguns municípios, vamos elaborar propostas para redução dos homicídios. Além disso, outra prioridade para nós é a questão da síndrome congênita do Zika vírus, focando ações de prevenção e combate ao Aedes. Estamos trabalhando também muito com o Comitê Estadual de Combate ao Aedes aegypti, da Assembleia Legislativa, através da Frente Parlamentar. Temos um outro projeto importante que é de prevenção do HIV, principalmente na população alvo que são os jovens gays, porque sabemos da grande vulnerabilidade deste público. E temos um programa, junto com a Prefeitura de Fortaleza, de testagem rápida dessa população, em portas de boate, barracas de praia, em saunas, lugares estratégicos para que a gente possa atingir diretamente esses grupos. Estes são os três projetos que estamos trabalhando de forma mais intensa, mas o Selo é uma iniciativa que contempla praticamente todas as políticas para criança e adolescente, envolvendo as áreas de saúde, educação, assistência, esporte e alguma parte de cultura. É importante ressaltar que estamos desenvolvendo também um curso, em parceria com a Escola de Saúde Pública e o Iprede, chamado Família Brasileira Fortalecida na Atenção à Primeira Infância. É uma capacitação à distância, de 80 horas, muito completa, que estamos ofertando para 1000 técnicos, especialmente para agentes de saúde e seus supervisores, mas a nossa ideia é levá-lo para mais de 17 mil técnicos.

Sustentação: Como a saúde está inserida dentro das ações prioritárias do Unicef? E quais as ações iniciais que os gestores que estão assumindo novos mandatos em 2017 devem tomar para garantir que o direito seja cumprido?

Tati Andrade: De forma mais ampla, em termos de política pública em geral: quais seriam os ingredientes para que as políticas públicas tenham bons resultados? Primeiro é o compromisso, a decisão política do gestor de investir em determinada área. E daí, a escolha de um assessor para esta área que esteja preparado para esse desafio. Uma pessoa bastante comprometida vai conseguir resultados positivos, inclusive com ajuda dos colegiados, seja do Cosems, Coegemas, Undime. No caso do gestor setorial, o compromisso, a motivação, o interesse em fazer realmente o trabalho bem feito são elementos fundamentais. Se ele já tiver conhecimento técnico é muito bom. Esse gestor precisa de autonomia para compor sua equipe. De acordo com levantamento que tenho feito para estudo pessoal, isso contribui para a motivação, para que o secretário se dedique. A partir daí, o que se espera é que esse gestor também vá procurar pessoas competentes, comprometidas e motivadas para compor sua equipe. Um outro elemento fundamental é começar com um bom diagnóstico, que pode ser obtido a partir de informações já disponíveis nos sistemas de informações especiais, o próprio Unicef, pode disponibilizar o diagnóstico feito para o Selo. A partir desse estudo, é preciso fazer um bom planejamento. A definição dos objetivos, das metas, mecanismos de avaliação e monitoramento destas é fundamental. Vale salientar que o bom planejamento deve ser vivo e dinâmico, onde as metas possam ser ajustadas e não fique apenas apagando fogo, com exceção das intercorrências. Se não houver essa compreensão o município pode perder dinheiro, oportunidade de recursos que são importantes. Algo que é imprescindível também é a questão do orçamento, onde o gestor deve ter o recurso disponível para que o planejamento saia do papel.

Sustentação: Como as ações estão sendo vistas hoje diante das dificuldades financeiras e possíveis reduções de investimentos nos municípios nos próximos anos?

Tati Andrade: O gestor cumpre aqui no Brasil um grande desafio para garantir as políticas públicas de forma universal. A questão de organizar, ter um planejamento pode contribuir para otimizar a utilização dos recursos que existem. Outra questão é fazer parcerias, como o que foi feito nas Policlínicas, onde em vez de você encaminhar um paciente para fazer hemodiálise em Fortaleza, ele faz na própria região, reduzindo custos com transporte, hospedagem, além do custo dos indivíduos e do social. A criatividade do brasileiro, do cearense, também é útil para criar coisas novas. Na dificuldade é que nós colocamos a criatividade para funcionar. E, claro, sempre vai ser necessário que os desperdícios sejam reduzidos, o que não é fácil pois o secretário não pode estar em todas as unidades, consultórios. Então, o gestor precisa contar com um bom sistema de controle e avaliação, evitando assim o desperdício dos poucos recursos que dispõe. Esses são alguns dos elementos importantes.

Sustentação: Quais as estratégias utilizadas pela Fundação para aproximar e envolver os gestores na busca pela garantia dos direitos de crianças e adolescentes?

Tati Andrade: Tem um tempo que temos pensado em um curso para prefeitos, que possa ser ministrado antes dele escolher seus assessores, para que entenda qual o perfil que esses profissionais devem ter para obter um bom resultado na sua administração. Depois a ideia é a capacitação dos gestores setoriais, com o apoio dos colegiados, focando nos conhecimentos sobre como compor sua equipe, técnicas de gestão, diagnóstico, planejamento e acompanhamento. Percebemos em alguns relatórios do Selo Unicef a dificuldade, muitas vezes, de entender alguns indicadores que são importantes. Umas das contribuições que o Selo vem dando é essa valorização do sistema de informação. Como os municípios querem muito ganhar a certificação, os gestores estão começando a entender que se ele não tiver um bom sistema de informação o trabalho bem feito não vai ser capturado.

Sustentação: Quais os indicadores, principalmente na área da saúde, que os gestores devem estar mais atentos?

Tati Andrade: A mortalidade infantil sempre vai ser um indicador muito relevante, porque já é consenso que esta traduz muito da qualidade de vida de determinada comunidade. Temos um problema em municípios pequenos porque há uma estabilidade da taxa de mortalidade infantil, já que é calculada na base de 1000 nascidos vivos e teremos vários anos para chegar a este número. Estamos pensando estratégias para mensurar esse número absoluto de uma melhor forma. Os indicadores chamados de saúde da gestante, saúde da criança sempre foram destacados e são muito importantes para o acompanhamento das ações.

Sustentação: Quais as perspectivas para o ano de 2017, levando em conta que teremos uma nova edição do Selo Unicef e novos gestores chegando aos municípios?

Tati Andrade: Sempre que finalizamos uma edição do Selo Unicef nós fazemos uma avaliação. Analisamos os indicadores que já chegaram num nível de resultado e pode ser retirado do elenco do Selo por não ser mais uma necessidade tão grande. Então, nós vamos fazer essa avaliação analisando os resultados obtidos pelos municípios do Ceará. Vamos inclusive procurar os colegiados para ouví-los. Cito um exemplo de um indicador que foi modificado por uma solicitação da Sesa, mais especificamente pela área da criança. Vínhamos usando a mortalidade infantil como indicador para o Selo, mas hoje ele passou a ser um indicador sentinela. É usado na análise, mas o indicador principal é percentual de óbitos maternos e infantis investigados. A Sesa nos indicou que esse era um indicador mais importante para avaliar o trabalho das equipes. A partir da avaliação é que vamos definir os novos desafios, mas certamente o combate ao Aedes aegypti estará presente, porque para nós isso é uma prioridade como Unicef, cidadãos, para evitar casos de síndrome congênita do zika vírus, mortes por dengue hemorrágica, chikungunya e todas as morbidades causadas pelo mosquito.

 

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