Adriano Rodrigues de Souza

Enfermeiro, epidemiologista, doutor em saúde coletiva

 

No último ano, cientistas de todo o mundo tem se dedicado a pesquisar e produzir para mitigar os efeitos da maior pandemia da contemporaneidade, a da COVID-19. O volume das centenas de iniciativas pela descoberta de vacinas tornou-se marcante nos noticiários, podendo ser comparada à corrida pela conquista do espaço.

Diversas nações pararam suas demais pesquisas e passaram a dedicar toda a capacidade científica, laboratorial, financeira e operacional de seus parques científicos para um único objetivo: descobrir a vacina contra a COVID-19. O maior desafio em elaborar a vacina era o tempo, pois o trâmite vacinal requer no mínimo três etapas de testes, exames e avaliações, para que seja determinado que antígeno deve ser usado para a resposta imunológica (OMS, 2020).

Durante o período de testes as vacinas têm de comprovar que são seguras e eficazes numa vasta população, antes de ser aprovada e introduzida num programa nacional de vacinação. Sendo assim, os riscos de uma vacina ocasionar efeitos drásticos em uma população são praticamente inexistentes.

Reações adversas são esperadas e controladas, já que toda e qualquer vacina pode causar desconfortos. As reações mais comuns estão no local da injeção (vermelhidão, inchaço, dor local), e na parte sistêmica do organismo (tontura, febre, mialgia). Só em casos muito raros, certos imunizantes desencadeiam efeitos colaterais graves e isso ocorre devido a heterogeneidade genética na população humana.

Assim sendo, em 13 de julho de 2020, a Rússia anunciou ao mundo que havia concluído parte dos testes clínicos da eficácia de um imunizante contra COVID-19, conhecido por Sputnik V, e em 5 de dezembro de 2020, deu-se o início da vacinação naquele país. O Reino Unido deu o pontapé inicial em 8 de dezembro de 2020, com a vacina americana e alemã Pfizer/BioNTech (CNN, 2020).

Em janeiro de 2021 já eram 56 países imunizando sua população, com as vacinas disponíveis no mercado mundial. Grandes potências como Alemanha, Espanha, Estados Unidos, França, Itália, países do leste europeu, da Ásia e etc. Na América Latina, os primeiros Hermanos a iniciarem a vacinação foram Chile e Argentina.

O Brasil iniciou sua vacinação em 17 de janeiro de 2021, em São Paulo, priorizando profissionais de saúde da linha de frente, com a vacina Coronavac. Em seguida, chegou ao país a vacina da Oxford/AstraZeneca e mais recentemente, a pfizer/BioNTech.

CORONAVAC

Vacina adsorvida de COVID-19 (inativada). Apresenta-se em suspensão injetável, em monodoses em ampolas de 0,5ml. Também é envasada em frascos-ampolas de 10 doses de 0,5 ml.

A vacina adsorvida COVID-19 é indicada para imunização ativa na prevenção de casos de COVID-19, doença causada pelo vírus SARS- CoV-2, em indivíduos com 18 anos ou mais. O esquema de imunização é de duas doses de 0,5ml com intervalo de 2-4 semanas entre as doses. A administração deve ocorrer na via intramuscular, no músculo deltóide. Ressalta-se que a incidência global de reações adversas nos indivíduos vacinados com a dose alvo foi de 23,73%, dos quais 23,24% foram leves e 1,94% moderadas (BUTANTAN, 2021).

A vacina não deve ser administrada em caso de: alergia a qualquer componente da vacina, paciente com febre, doença aguda e início de doença crônica. Esta vacina não deve ser administrada em mulheres grávidas sem orientação médica. A conservação do imunobiológico deve ocorrer na temperatura entre +2ºC e +8ºC (BUTANTAN, 2021).

OXFORD/ASTRAZENECA/FIOCRUZ

A vacina Oxford/ Astrazeneca é uma vacina recombinada, que se apresenta em cartuchos contendo suspensão injetável com 2,5 ml, sendo 5 doses por frasco. A administração deste imunobiológico deve ser na via intramuscular, no músculo deltóide.

Este imuno deve ser aplicado em indivíduos a partir de 18 anos de idade, com esquema de duas doses de 0,5ml cada. Sendo que seja respeitado um intervalo entre 4 e 12 semanas após a primeira dose. A vacina covid-19 (recombinante) é uma suspensão incolor a levemente marrom, clara a levemente opaca. A vacina deve ser inspecionada visualmente quanto a partículas e descoloração antes da administração (FIOCRUZ, 2021).

A vacina após preparada deve ser administrada até 6h quando armazenada em temperatura ambiente e 48h quando armazenada sob refrigeração de 2 a 8ºC. Recomenda-se a não administração da vacina Oxford/Astrazeneca associada a outro imunológico. As reações adversas reportadas foram: sensibilidade no local (>60%), dor no local da injeção, cefaleia, fadiga (> 50%); mialgia, mal-estar (> 40%); febre, calafrios (> 30%); e artralgia, náusea (> 20%). A maioria das reações adversas foi de intensidade leve a moderada e usualmente resolvida dentro de poucos dias após a vacinação

A Oxford tem dados limitados sobre o uso em mulheres grávidas, portanto há recomendações de medida de precaução. Neste caso, o Ministério da Saúde (MS), orientou em nota que as gestantes e puérperas que tomaram a primeira dose da vacina contra a COVID-19 da Oxford/Astrazeneca, a aguardarem o fim do puerpério para tomarem a segunda dose (FIOZCRUZ, BRASIL, 2021).

A vacina Oxford/Astrazeneca deve ser conservada na refrigeração de 2 a 8ºC. Não pode ser congelada. A vacina tem validade de 6 meses a partir da data de fabricação. No entanto, após a retirada da primeira dose aplicar até 6h, quando em temperatura ambiente 2 a 8ºC.

PFIZER/BIONTECH

A mais recente vacina contra COVID-19 chegada ao Brasil, que desperta muitas dúvidas e curiosidades. No dia 23 de fevereiro de 2021, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária do Brasil (ANVISA), autorizou o registro definitivo para a vacina COMIRNATY contra a Covid-19. Assim, o Ministério da Saúde (MS), incluiu a vacina Pfizer na Campanha Nacional de Vacinação contra COVID-19 (CEARÁ, 2021).

Vacina de RNA mensageiro, que estimulam as células humanas a produzir a proteína Spike, que criam a imunidade no organismo, a Pfizer apresenta 94,6% de eficácia para os casos leves e moderados e 100% para os casos graves, sendo recomendada à população acima de 18 anos de idade.

A vacina da Pfizer possui apenas uma parte do material genético do vírus, e não o vírus total, assim sendo, não provoca a doença COVID-19 ao recebê-la. No entanto, como todo imunobiológico são necessárias algumas orientações básicas, como dialogar com seu médico ou enfermeiro que lhe acompanha, relatar alergias graves, algum problema hemorrágico, se faz uso de alguma medicação, se sente febre no momento e relatar se estiver gestante, são algumas preocupações que devem ser consideradas.

O esquema vacinal é de duas doses, com intervalo de 21 dias entre as doses. A apresentação deste imunobiológico tem algumas peculiaridades em relação às demais vacinas. No esquema vacinal é administrado 0,3 ml, intramuscular.

No entanto, é preciso atenção ao processo de diluição e preparação da vacina. Ela se apresenta em frascos ampolas multidoses (06 doses/frasco) e diluente com soro fisiológico 0,9% com 1,8ml. Ressalta-se que este soro poderá ter várias apresentações de volume no frasco, no entanto, só se deve aspirar 1,8ml para a diluição.

ATENÇÃO: Uma vez contendo excedente no frasco de soro, o mesmo NÃO deverá ser utilizado para diluição de outras vacinas.

Um dos principais questionamentos sobre o imunobiológico da Pfizer é o processo de conservação. De acordo com a recente autorização da Anvisa, a conservação da vacina pode ser feita por até duas semanas nas temperaturas entre -15ºC e -25ºC. Além deste período é necessário garantir os recipientes em congelamento de -60ºC a -90ºC. Ressalta-se que os frascos descongelados podem ser manuseados em luz ambientes, porém, uma vez retirada do congelador, a vacina fechada pode ser armazenada por 5 dias entre 2º C a 8º C (WYETH, 2021).

SPUTNIK V

A Sputnik V foi a primeira vacina registrada no mundo contra COVID-19, no entanto, sofreu muitas considerações por parte da comunidade científica devido ao processo fechado do governo Russo.

O imunobiológico russo estrutura-se em uma plataforma de um vetor adenoviral humano e hoje, já encontra-se registrado em mais 65 países. A vacina é uma das três (3), do mundo com mais de 90% de eficácia. Já foram registradas mais de 3,8 milhões de pessoas vacinadas na Rússia, com 97,6% de eficácia demonstrada (SPUTNIK, 2020).

A vacina Sputnik V pode ser armazenada entre +2 e +8 ºC, fato que facilita a venda e o envio do imunobiológico para todo mundo. A vacina é aplicada em duas (2), doses, com intervalo de três (3), meses de diferença. A Anvisa liberou a utilização da Sputnik V, mas com algumas restrições a alguns grupos, como: grávidas, lactantes, menores de 18 anos, mulheres em idade fértil que pretendem engravidar, dentre outras.

No Brasil quem assumirá a distribuição e produção da Sputnik V é a União Química, que se responsabilizará por atender toda a América Latina. O imunobiológico é elaborado no Centro Nacional de Pesquisa em Epidemiologia e Microbiologia Gamaleya do Ministério da Saúde da Federação da Rússia e o Fundo Russo de Investimentos Diretos (RDIF, o fundo soberano da Federação da Rússia).

Vários estados e municípios brasileiros já negociaram com o fundo Russo a compra deste imunizante, com a autorização da importação por parte da ANVISA, a União Química informou que o primeiro lote da vacina deve chegar ao país nos próximos dias.

No momento em que a vacinação avança para população em geral, é importante ressaltar que ainda temos um longo caminho pela frente, tanto no número de pessoas a ser ainda vacinadas, como nos estudos de todos estes imunizantes. Portanto, todos os cuidados devem ser mantidos como uso de máscaras e protocolos de higiene. Para que mais vidas sejam preservadas, Vacina Sim!

  

SAIBA MAIS:

https://www.paho.org/pt/brasil

https://www.cnnbrasil.com.br/

https://www.saude.ce.gov.br/

https://sputnikvaccine.com/prt/about-vaccine/

 

 

 

 


Assessoria de Comunicação do COSEMS/CE

Fernando Cruz / Mário Cabral / Pedro Luna
Telefone: (85) 3101.5444

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