COSEMS debate desafios da gestão com APRECE, SESA e Conasems

Quinta com Debate, promovido pela APRECE, discutiu desafios e projeções para o setor saúde em meio à pandemia do coronavírus

O COSEMS/CE participou nesta quinta-feira (11), do Quinta com Debate, realizado pela APRECE e que discutiu a temática “Desafios da Gestão em Saúde no Enfrentamento ao Coronavírus. O debate contou com a mediação da entidade organizadora e também contou com a participação de representantes do Conasems e Secretaria da Saúde do Estado.

As primeiras questões foram levantadas pelo presidente da APRECE, Nilson Diniz, e pelo consultor em Saúde do órgão, João Ananias. Os anfitriões trouxeram a preocupação com a organização dos serviços em saúde, as medidas que vem sendo tomadas para mitigar os efeitos do coronavírus no sistema, e a projeção do cenário para o período de eleições municipais que se avizinham.

A presidente do COSEMS, Sayonara Cidade, destacou inicialmente que o desafio não tem sido apenas das Secretarias Municipais de Saúde, mas de todas as outras que tem trabalhado em conjunto, mantendo também os serviços. No que concerne ao papel das SMS, a presidente reafirmou o que vem sendo colocado como prioridade: monitoramento e bloqueio dos casos de coronavírus através da organização da Atenção Primária.

Sayonara também pontuou que as dificuldades iniciais persistem, como o desconhecimento do comportamento da doença, falta de EPIs e a regulação dos pacientes. “Nós temos que fazer um trabalho para desburocratizar a regulação. Nós temos um percentual menor de leitos clínicos ocupados, mas a capacidade de UTI já estrangulada”, destacou.

Sayonara demonstrou também a preocupação com o desalinhamento do Governo Federal junto aos estados e municípios, principalmente quanto ao convencimento da importância de se obedecer aos decretos estaduais de isolamento social. No Ceará, as regiões Norte e Cariri passaram para um nível de alerta maior, após a capital ver a curva de casos e óbitos declinar.

Outro participante de grande peso no debate, o atual secretário executivo do Conasems, Mauro Junqueira, abordou um desafio crônico para o SUS, que é a rotatividade na gestão, e citou como exemplo o próprio Ministério da Saúde, que em meio aos agravamentos da pandemia mudou por duas vezes de ministro. Junqueira também lembrou de outros problemas enfrentados pelos municípios como o aumento abusivo dos preços de máscaras cirúrgicas e outros insumos. “Nós estamos passando a fase mais crítica da falta do respirador, agora vai entrar na fase da falta do medicamento para entubar. Estamos conversando sobre aumentos de mais de 1000%. Como o prefeito vai explicar isso para os órgãos de controle?”.

A decisão pelo isolamento social também foi uma questão abordada pelo representante do Conasems. Para ele, a medida trouxe saldos positivos para o país. “Deu tempo para que as regiões que demoraram mais a serem afetadas se organizassem com suas estruturas, tivessem tempo para buscar equipamentos e serviços. Em 60 dias, mais ou menos, nós habilitamos no país mais de 8.000 mil novos leitos de UTI”, expôs.

A Governança do SUS também foi abordada na fala do secretário executivo de Políticas em Saúde da SESA, Marcos Gadelha. Segundo ele, o Governo Federal não tem definido uma estratégia clara para o enfrentamento do vírus, mas que o Estado do Ceará tem conseguido vencer desafios através da parceria com APRECE e COSEMS. Gadelha reforçou que há um esforço da SESA em ajustar o alinhamento dos indicadores do estado para o melhoramento da gestão compartilhada.

O gestor da SESA falou ainda da importância de se voltar a atenção para as populações de maior vulnerabilidade social. “São exatamente essas populações que são amplificadoras da transmissão do vírus. Se não cuidarmos dessas populações que vivem em condições sanitárias inadequadas e de risco, são elas que vão pressionar o sistema de saúde, e assim teremos dificuldade de dar acesso”.

Gadelha finalizou projetando uma nova discussão sobre a regionalização da saúde no estado. “Fico me perguntando se hoje nós não tivéssemos nossos hospitais regionais descentralizados. O que seria de nós, se não tivéssemos essas estruturas de saúde descentralizadas? É verdade que elas ainda são insuficientes, mas tem sido fundamentais, principalmente nas situações críticas de pacientes com necessidade de Unidade de Terapia Intensiva”, ponderou.


Assessoria de Comunicação do COSEMS/CE

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